Projeto Human Ecosystem

ed035_entrevista

Em evento realizado de 22 a 28 de setembro em São Paulo, no SESC Vila Mariana, Salvatore Iaconesi e Oriana Persico, criadores do projeto Human Ecosystem, concederam entrevista especial ao Wenovate. Confira a seguir.

Wenovate – No que exatamente consiste o projeto Ecossistemas Humanos?

Salvatore Iaconesi e Oriana Persico -

Ecossistemas Humanos é um projeto city-based no qual podemos capturar toda a informação pública que é gerada por cidadãos e organizações através de redes sociais e processá-la para entender o que as pessoas estão falando, quais são suas emoções, opiniões, relações; e de que maneira se formam comunidades e redes, e quais são seus papéis nessas comunidades e redes.

Em seguida, pode-se soltar toda essa enorme quantidade de informação como uma fonte em tempo real de Dados Abertos, que os cidadãos – designers, artistas, gestores públicos, empreendedores sociais, pesquisadores e professores podem usar para várias finalidades. Desde as relacionadas à governança participativa da cidade até a criação de belas e interessantes obras de arte, concepção e desenvolvimento de serviços inovadores, pesquisa, planejamento urbano, educação cívica, e muito mais. Deste modo são aplicações interdisciplinares e sugerem conexões fortes, dinâmicas entre os cidadãos e as áreas de pesquisa, artes, tecnologia, governo, criatividade e empreendedorismo. Fazemos isso de duas formas: criando um museu e um laboratório.

ed035_humanecosystem1

Em primeiro lugar, criando o que chamamos de “Museu da Cidade em Tempo Real”, como faremos no SESC Vila Mariana, em São Paulo. Este é um museu real, que em vez de mostrar pinturas e esculturas, exibe o emocional e relacional do Ecossistema da Cidade. Podemos imaginar isso como um planetário. Em lugar de mostrar estrelas, mostra pessoas e organizações. Em lugar de mostrar constelações (relações entre estrelas) mostra relações entre pessoas. As pessoas podem encontrar a si mesmas no Ecossistema e podem visualizar a que comunidades pertencem e quais são suas interações potenciais.

Ele também pode ser usado para “fazer perguntas para a cidade”. Questões importantes, tais como: “quem está preocupado com o meio ambiente na cidade”; “Quem está ansiosa sobre o seu trabalho?”; “Quem você gostaria para sua comunidade?”; e muito mais.

As respostas a todas essas perguntas vêm sob a forma de redes humanas: redes de seres humanos e suas relações, os papéis (alguns podem ser influenciadores, alguns hubs, alguns especialistas, ou pontes entre diferentes comunidades), emoções, opiniões, e as formas em que todos estes evoluem e se transformam ao longo do tempo, a geografia, a cultura e a língua falada.

Através deste mecanismo, criamos a segunda maneira pela qual usamos os ecossistemas humanos: o laboratório. Neste laboratório, podemos ensinar as pessoas a usarem esses dados para criar uma mudança positiva na cidade. Estudantes de todas as idades, artistas, designers, administradores públicos, empreendedores, pesquisadores, todos podem aprender como usar este laboratório e colaborar com inúmeras disciplinas para criar serviços inovadores, gestão participativa ações de tomada de decisões, ações cívicas, obras de arte, novas formas de planejamento urbano e estratégico, processos de definição de políticas de colaboração, brinquedos e muito mais. Todas estas podem ser compartilhadas em Tempo Real neste “Museu da Cidade”, pronto para ser usado e reutilizado para outros assuntos, e também em todas as outras cidades em que os ecossistemas humanos foram iniciados, criando amplo acesso ao conhecimento, e realimentando inclusive o ecossistema.

Wenovate - O que motivou seu surgimento e pesquisa?

Salvatore Iaconesi e Oriana Persico -

O projeto Ecossistemas Humanos é a última fase de uma série de projetos que iniciamos pelas mais variadas razões: questões sociais e políticas, relacionadas com enormes oportunidades que surgem quando você é capaz de obter colaboração entre artes, ciências, tecnologias, governos e empreendedorismo.

ed035_humanecosystem2

Do ponto de vista sócio-econômico, deve-se destacar como os seres humanos têm transformado radicalmente as formas pelas quais se relacionam, trabalham, colaboram, expressam suas emoções e constroem sua identidade ao se comunicarem.

Quase dois bilhões de pessoas no planeta já utilizam as redes sociais como uma parte integrante do seu espaço público, para expressar suas opiniões, desejos, expectativas, preocupações, relacionamentos e muito mais. Mas vivemos atualmente nesta situação peculiar em que as pessoas que geram toda essa atividade e as informações não podem acessá-las.

O Facebook tem essa informação, a NSA pode tê-la, uma grande corporação como a Coca-Cola pode comprá-la. Apenas os cidadãos não têm acesso a ela. E esta informação tem múltiplos usos positivos, radicalmente inovadores, que ainda nem se começou a explorar. Todos eles são baseados na possibilidade de os cidadãos poderem acessar as informações produzidas pela sociedade nesse espaço público e usá-las de maneiras positivas e construtivas.

Por isso estamos promovendo a ideia de um Commons onipresente, o Commons na era das tecnologias onipresentes. O Ecossistema Humano é uma das maneiras de promover a adoção do Commons onipresente por governos, empresas, ciências e cidadãos, provocando uma mudança radical e positiva em nossas comunidades, através de atos de participação e colaboração consciente, ativa e informada.

Wenovate - Como o projeto pode ajudar a sociedade civil?

Salvatore Iaconesi e Oriana Persico -

De várias formas. Primeiramente, permitindo aos cidadãos se beneficiarem da enorme quantidade de dados e informações que eles geram em redes sociais, os novos espaços públicos. Atualmente eles não têm acesso a isso, não podem usar os dados para organizar-se, para obter uma melhor compreensão de sua sociedade e promover de modo eficaz a gestão participativa de suas cidades.

ed035_humanecosystem3

Em segundo lugar, restaurando a usabilidade e acessibilidade do espaço público digital. Empresas como Facebook, Twitter e Google fazem muitos esforços para a produção de ambientes digitais que imitam de perto espaços públicos, dando aos cidadãos de todo o planeta uma esperança: a percepção clara destes serviços como espaços públicos. Mas os espaços públicos e os direitos das pessoas em si mesmas são preservados e protegidos, de modo que não são válidos em espaços como o Facebook, por exemplo. Este tipo de expectativa induzida é protegido por aparato legal, e é só por causa de uma falta de capacidade de resposta dos sistemas jurídicos que os regulamentos existentes não são aplicados nestes espaços digitais.

Por exemplo, no espaço público, para alterar o direito dos cidadãos à privacidade deve-se passar por parlamentos eleitos, Senados, Congressos, presidentes, de acordo com os procedimentos que nós, como cidadãos, optamos em nossas sociedades democráticas. No Facebook, por exemplo, um espaço que é reconhecido como um espaço público de 1,3 bilhões de pessoas em todo o planeta (o segundo país do mundo, depois da China), qualquer alteração do direito à privacidade pode ser executada a qualquer momento, de forma unilateral, alterando algumas linhas nos Termos de documentos de Serviço.

E, terceiro, tornando os dados pertinentes a estes espaços públicos digitais acessíveis aos cidadãos, a fim de permitir modelos inteiramente novos para a participação cívica e colaboração, em que administrações, empresas e institutos de pesquisa assumem funções inteiramente novas, tornando-se facilitadores e promotores da difusão maciça de práticas de colaboração em rede, distribuição que emerge entre cidadãos, empresas, artistas, arquitetos, urbanistas, engenheiros, antropólogos e, assim, por toda a sociedade, de maneiras acessíveis e inclusivas. É a sociedade em rede que deveríamos ter, reconhecida como a maior oportunidade provocada pelas novas tecnologias. Para este tipo de sociedade o conceito do Commons onipresente torna-se uma questão fundamental.

A inovação aberta ganha-ganha do gigante Bradesco


ed035_inovabra

Equipe InovaBRA.

O inovaBRA é um programa  de inovação aberta do Banco Bradesco voltado a descobrir projetos inovadores de startups que tenham soluções aplicáveis ou com possibilidade de adaptação no setor de produtos e serviços financeiros e que possam criar novas soluções para o Banco. A proposta é que as empresas estejam preparadas para apresentar inovações nas seguintes áreas: meios de pagamento, canais digitais, produtos, seguros e Banco do Futuro, que engloba iniciativas que possam ser adotadas nos próximos anos por qualquer área do Banco.

Já estamos pensando no que oferecer para a próxima geração bancária. Este é um projeto onde todos ganham: o cliente Bradesco, que tem acesso a produtos e serviços inovadores; o Banco, que mantém sua tradição e pioneirismo, criando um novo canal para gerar inovação; e as startups, que têm a oportunidade de alavancar negócios em parceria com um grande apoiador.

A iniciativa é uma grande oportunidade para as startups ganharem visibilidade no mercado e iniciarem um trabalho com base em demandas reais. O grande diferencial do programa é a inovação no modelo de negócio, pois as empresas irão trabalhar com base em necessidades reais apontadas pelas unidades de negócio do Banco, diluindo o risco da inovação. Além disso, vão contar com conselhos e orientações dos principais executivos da instituição, acesso aos principais líderes das unidades de negócio – com objetivo de moldar a solução para uma grande instituição financeira -, assistência na gestão e mentoria. E poderão finalmente testar a solução apresentada em um dos maiores bancos do País.

Atualmente o acesso a tecnologias para gerar inovação está ao alcance de todos. Por isso, resolvemos apostar em mesclar o nosso processo fechado de inovação com um processo aberto, que nos permita buscar, apoiar e apostar em boas ideias. Nosso objetivo é criar um canal de interação com empresas que estão na fronteira da criação, têm agilidade para se adaptar aos novos desafios propostos, mas precisam do apoio para uma boa gestão de seu negócio.

O programa terá duração de 10 meses, sendo quatro destinados ao processo seletivo e seis meses para o processo de interação com o Banco, incluindo melhorias na gestão, busca de sinergia estratégica, operacional e mercadológica.

A primeira fase é composta por três etapas:

- Primeira: divulgação do programa e inscrição das empresas, que ocorre de 05/08 a 17/10.

- Segunda: seleção de até 40 startups pela avaliação do questionário preenchido pelas empresas durante a inscrição. Essas empresas passarão por um processo de imersão para conhecer o banco e serão avaliadas nos seguintes quesitos: qualificação da equipe, potencial de geração de valor, capacidade de entrega, potencial de inovação e mensuração de risco.

- Terceira: serão selecionadas 20 startups que passarão por avaliação de um grupo de executivos do Banco.

Cerca de 10 empresas seguirão para a fase de concepção do projeto, na qual receberão orientação com relação a uma demanda associada a uma necessidade real do Banco. Consequentemente, terão apoio no desenvolvimento do produto ou serviço e adaptação da solução ao ambiente do Bradesco.

Ao final do programa, as empresas que concluírem com sucesso a formatação de suas soluções terão a possibilidade de comercializar seus produtos para o Bradesco. O Banco poderá ainda ser um investidor estratégico das empresas.

SENAI marcou presença na Olimpíada do Conhecimento 2014, realizada em Belo Horizonte, de 1 a 7 de setembro.

Alunos e especialistas SENAI formaram um grande time reunido no stand “indústria do futuro”, um laboratório aberto onde o propósito era o de resolver problemas complexos de empresas parceiras. O primeiro dia de Olimpíada destinou-se à dinâmica para geração de ideias e, no segundo, houve a prototipação das ideias validadas, com o intuito de transformá-las em soluções reais para a indústria.

As empresas parceiras e seus respectivos desafios foram:Fiat, com “Como melhorar a eficiência da partida a frio do motor a etanol?”;  Vale, com  “Comunicação e automação em ambiente de mina”;  Natura,com“Como conectar pessoas distantes na hora do relaxamento e sono?”; e  3M, com“Como reduzir o ruído do secador de cabelo”.

No geral, foram geradas duas ideias para cada desafio, ideias que muitas vezesse complementavam e acabaram se tornando uma proposta única e mais robusta.O clima foi de grande colaboração, já que as empresas convidadas interagiram bastante com as equipes de ideação e prototipação, dando sugestões e compartilhando conhecimento.

Assista ao vídeo

Wenovate e MDIC estiveram presentes no Seminário Nacional Anprotec, em Belém do Pará, de 22 a 26 de setembro

Inovação aberta, Redes e o Programa InovAtiva Brasil foram temas bordados por Bruno Rondani, em mini-curso realizado no dia 22. Abaixo a cobertura completa.

Ministrado pelo fundador e presidente do Wenovate, Bruno Rondani (foto), o minicurso “InovAtiva Brasil: capacitação, mentoria e conexão de negócios” apresentou o programa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior que teve sua edição piloto realizada no ano passado. O Wenovate – Open Innovation Center, atua como mentor e conselheiro de programas de incentivo ao empreendedorismo no País e é executor do InovAtiva. Assim, durante a atividade realizada nesta tarde (22), Rondani apresentou aos participantes a experiência do programa piloto de 2013 e as perspectivas para os resultados da edição deste ano.

O InovAtiva Brasil é uma plataforma que oferece aos empreendedores capacitação na forma de vídeos e webinars, além de outras funcionalidades, como blog e espaço para networking. Os selecionados têm acesso ao conteúdo que é produzido constantemente com apoio da própria comunidade de empreendedores de sucesso. A segunda etapa prevê que até 300 empreendedores aprovados recebam mentorias de especialistas. Os projetos inscritos precisam atender a alguns requisitos: ter alto impacto, ser inovador, ter caráter global.

“O programa oferece ao empreendedor conteúdo de capacitação, refinamento e aceleração do negócio, mentoria com especialistas e empreendedores de sucesso, conexão com instrumentos públicos de apoio e hubs internacionais”, explicou Rondani.

Em 2013, os 20 empreendedores finalistas receberam mentoria para falar com investidores. Em 2014, dos 1.200 projetos cadastrados na plataforma, 128 se qualificaram para receber mentoria de empreendedores, investidores e consultores. “Queremos aumentar muito o número de empreendedores impactados em 2014, na tentativa de tornar o programa ainda mais inclusivo”, concluiu.

Fonte: Débora Horn, do Relata Editorial

Mais informações

Clipping – Edição 35

Empresas no Brasil devem priorizar inovação aberta, defende presidente da DuPont para América Latina

A inovação aberta (open innovation) deveria ser largamente aplicada por companhias no Brasil como chave para potencializar os negócios e a competitividade do País no cenário global. É o que defende Eduardo Wanick, presidente e CEO da DuPont para América Latina e presidente do Conselho de Administração da Amcham.
Leia mais

BNDES oferece Programa de Apoio a Micro, Pequena e Média Empresa Inovadora

O objetivo do programa é aumentar a competitividade das micros, pequenas e médias empresas (MPMEs), financiando investimentos que contemplam ações contínuas de melhorias incrementais em seus produtos e/ou processos, além do aprimoramento de suas competências, estrutura e conhecimentos técnicos. O programa estará vigente até 31/12/2015 e os interessados devem procurar uma instituição financeira credenciada ao BNDES.
Leia mais

Estão abertas as inscrições para a Segunda Rodada do Start-UP Brasil

No último dia 15 de setembro o Programa Startp-UP Brasil entrou na fase de seleção de projetos startups do 2o.semestre 2014. Podem participar startups com até 4 anos de constituição, de dentro ou de fora do Brasil (cota de 25% para estrangeiros). Interessados devem se inscrever até 24/10.
Leia mais

Quais os desafios de acelerar negócios em cenários de crise econômica e como as aceleradoras lidam com isso?

foto_PedroWaengertnerPedro Waengertner
Aceleratech

Crises vem e vão. É um aspecto do mercado. Uma coisa que sempre dizemos aqui na Aceleratech é que faturamento e lucro nunca saem de moda. Acreditamos que o propósito de uma aceleradora é, mais do que preparar a empresa para receber investimentos, torná-la sustentável do ponto de vista financeiro. Creio que o primeiro conselho é organizar a oferta e a estratégia de vendas de modo a conseguir chegar no ponto de equilíbrio (break-even) o mais rápido possível. O melhor financiamento é sempre aquele feito pelos próprios clientes do negócio.Na hora de discutir a oferta, é importante ter a visão macro-econômica e entender que outros agentes do mercado também serão afetados pela crise, naturalmente cortando custos de áreas não essenciais ao negócio. Portanto, é fundamental que a oferta da startup esteja muito alinhada a um destes dois alicerces: cortar custos ou aumentar receitas. Se for algo supérfluo, a tendência é que tenha muito mais dificuldades de monetizar. Por último, é importante que o mercado escolhido seja grande suficiente e menos afetado pela crise. São decisões duras, porém fundamentais para a sobrevivência do negócio.”
+info: http://aceleratech.com.br

foto_BedyYangBedy Yang
Br Innovators

Empreendedores trabalham bem com recursos escassos e crise econômica muitas vezes pode significar novas oportunidades. Além disso, grandes empresas e investidores institucionais também estão mais abertos para fazer parcerias e escutar novas soluções quando sentem que a economia não está tão bem. Por outro lado, o capital se torna muito mais escasso para apoiar inovação, pois a maioria dos investidores prefere preservar capital, embora melhor fosse aproveitar para investir nas oportunidades geradas pela crise.A escassez do capital dificulta o trabalho das aceleradoras. Para muitas, uma das métricas principais é a quantia de capital que as empresas captam com outros co-investidores, pois isso normalmente permite que as startups possam sobreviver por um tempo maior no mercado e investir no produto, equipe e distribuição. Na “500 Startups”, por exemplo, todas as empresas que buscaram capital fora conseguiram investimento adicional. O importante não é quanto a empresa capta, mas sim o resultado de longo prazo, mas capital investido de curto prazo compra tempo para as startups. A recomendação para as empresas em crise e com recurso limitado é chegar no break even (ponto de equilíbrio) o mais rápido possível, pois depois as que sobreviverem estarão muito bem posicionadas no mercado. É como a letra da música “What doesn’t kill you makes you stronger” (o que não mata te faz mais forte).
+ info: http://www.brazilinnovators.com

foto_JuanBernaboJuan Bernabó
Germinadora

A Germinadora não foi pensada como uma aceleradora convencional. Nossa ideia é criar negócios que sejam bons desde o começo, lucrativos, e que não necessitem de injeção de capital o tempo inteiro. Nosso foco são empresas que tenham margem, que resolvam problemas reais de pessoas reais, ou seja, mesmo em um cenário de crise econômica, você vai precisar daquele tipo de serviço. Somos independentes financeiramente, então não há pressa de em 2 anos sair de alguma empresa (à qual nos associamos), somos um investidor paciente.Quando viemos para o Brasil, achamos mesmo que não seria fácil lidar com questões macroeconômicas. Na crise mudam os índices, alguns negócios se tornam realmente inviáveis para atores que só funcionam com o mercado em “subida”. Algo interessante que fazemos a cada 3 meses é rodar um programa para descobrir negócios que funcionam fora desse cenário economicamente problemático e que circundem tal problema, oferecendo soluções para eles.
+ info: http://www.germinadora.com

Geofusion – Investimentos, crescimento e mudanças no modelo de negócio da empresa


foto_PedroFigoli2Em entrevista ao Boletim Inovação Aberta, Pedro Figoli, CEO da Geofusion, nos fala sobre investimentos, crescimento e mudanças no modelo de negócio da empresa.

Wenovate – Há algum tempo vocês receberam investimento Criatec e Intel Capital, sendo que a empresa tem 18 anos de existência. Por que só buscaram esse rápido crescimento mais recentemente?

Pedro FigoliNa verdade nós buscamos investidores antes, mas não conseguimos chamar a atenção. No ano de 1999 falamos com vários investidores, mas naquela época praticamente não existiam investidores interessados em empresas de pequeno porte como a nossa.

Usamos o lucro da consultoria para criar e manter o OnMaps, nossa plataforma na web de Geomarketing. Tivemos que esperar 11 anos para conseguir fechar o nosso primeiro investidor, o Fundo Criatec. Em 2011 o mercado de Geomarketing já estava mais maduro e o OnMaps crescia a mais de 50% ao ano. Isto chamou a atenção do Fundo Criatec.

A entrada deles foi muito importante para garantir a manutenção do crescimento da empresa, A criação da Diretoria de Marketing, a contratação de vários vendedores e o investimento na contínua melhoria do produto. Dois anos depois a Intel Capital fez o segundo aporte na Geofusion, garantindo assim a continuação do nosso crescimento e a validação do nosso modelo de negócios.

Wenovate - Como uma empresa de consultoria madura conseguiu virar uma empresa de produto e escalável?

Pedro Figoli - Escutando o cliente. Ao desenvolver os projetos de consultoria percebíamos que nossos clientes tinham uma dificuldade muito grande em levantar dados de mercado e depois analisá-los. Então juntamente com dois desses clientes de consultoria desenhamos o que seria a primeira versão do OnMaps, nossa plataforma de Geomarketing na web. O OnMaps foi criado a partir de problemas reais de nossos clientes e por isso é um produto muito alinhado com as necessidades do mercado.

Em 2008 estabelecemos uma parceria com a ABF (Associação Brasileira de Franchising) e a partir deste momento começamos a crescer a mais de 50% ao ano. Profissionalizamos toda a equipe de desenvolvimento, trazendo para a empresa as melhores práticas de desenvolvimento e qualidade. Fizemos parcerias estratégicas importantes que garantiram a nossa escalabilidade. Hoje 90% do nosso faturamento vem do OnMaps.

Wenovate - No Desafio Intel 2014 vocês participaram dando mentoria. Como foi essa experiência de estar “do outro lado”?

Pedro Figoli - Já é o segundo ano que damos mentoria no Desafio Intel e a experiência é incrível. Os empreendedores são de altíssimo nível, 100% comprometidos com os seus negócios e as empresas muito inovadoras. Existe uma troca de experiências entre mentores e empreendedores bastante rica. Mais uma vez, foi uma grande satisfação colocar nosso tempo e conhecimentos à disposição de times tão qualificados e engajados.

Pedro Figoli é formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e atua na área de Inteligência Geográfica de Mercado há mais de 18 anos, com foco no desenvolvimento de novas tecnologias e aplicações.

Autossuficiência, criatividade e inovação: como a Cristalia Produtos Químicos e Farmacêuticos Ltda. se tornou fabricante líder de medicamentos no Brasil

ed034_sui_OgariPacheco2Por Ogari Pacheco, presidente da Cristalia.

Sou médico e fui para Itapira a convite de um colega para clinicar. Depois formou-se um grupo que montou um hospital para o qual me convidaram. Passado algum tempo, surgiu a ideia de que, para baixar o custo operacional do hospital, passássemos a produzir alguns medicamentos. Foi aí que surgiu um pequeno laboratório cuja finalidade era abastecer o hospital e que, ao final, produzia muito mais do que se precisava.

Não tendo saída, tivemos que começar a vender o excedente, e deu certo. Participamos da produção de praticamente todo o coquetel anti-AIDS, que não está sujeito a patente. Tudo que não está patenteado nós fabricamos, na realidade por meio de um consórcio no qual a Cristalia é a empresa líder. Por outro lado, lideramos o segmento de anestésicos, somos líderes em anestesia na América Latina.

Para isso, houve necessidade de muito trabalho, de muita criatividade. Se nós seguíssemos um padrão de copiar e apenas copiar, provavelmente hoje nós estaríamos fabricando genéricos, sendo mais um no universo de fabricantes de genéricos. Não tenho nada contra genéricos, acho que são bons produtos, com recursos terapêuticos e farmacêuticos bastante interessantes, porém era visível e imaginável que dentro de algum tempo todos os fabricantes de genéricos iriam desembocar em uma luta canibalesca pelo mercado, que é o que está acontecendo hoje. Como sair disso?

No nosso modo ver, a saída era nos voltarmos para nichos, situações em que tivéssemos uma produção mais defensável, não tão facilmente “canibalizável”. Só tinha um jeito, tínhamos que desenvolver a síntese de princípios ativos, algo que o Brasil nunca fez, o Brasil importa hoje mais de 90% do que necessita para produzir seus medicamentos.

Nós, em contrapartida, produzimos cerca de 50% de nossas necessidades. Foi aí que tudo começou, primeiro copiando a síntese dos princípios ativos, para aprender. Porque primeiro você aprende a cozinhar, depois você inventa pratos. Depois de um certo tempo, quando nos sentimos mais à vontade na cozinha, passamos a criar pratos, que vieram a nos render 71 patentes.

Quando eu digo isso pode não parecer muito em comparação com outros produtos nacionais, entretanto, é o maior número do Brasil. E se nem toda a inovação é patenteável, ­toda patente contém uma inovação. Por aí vemos que na busca de diversificação, acabamos criando um nicho para desenvolver princípios ativos menos facilmente “canibalizáveis”.

Em determinado momento houve uma certa indecisão sobre qual era o melhor caminho. Indecisão essa provocada pela insegurança do desconhecimento, pois conhecíamos muito pouco da área. Hoje se eu pudesse voltar atrás, teria começado antes.

Na minha opinião, nada resiste ao trabalho. Se você tiver perseverança e uma ideia na cabeça, acredite nela. Trabalhando, com certeza, você chegará a um lugar de destaque. Um conselho que eu posso dar é, pense em nichos, pois é onde não há o menor ataque da concorrência, é onde há sua menor concentração.

O homem inova desde que existe sobre a face da Terra. Então o que é inovação nos termos atuais e o que se pretende dizer com ela? É a melhoria de produtos e processos, pois ninguém inova por inovar, inova para melhorar algo que já existe. Digo isso porque as pessoas muitas vezes ficam inibidas, achando que têm que criar algo completamente novo. Mas coisas absolutamente novas e inéditas são raríssimas, o que há na realidade é a melhoria de coisas já existentes.

Falando do nosso negócio, o que se deve buscar é melhorar o que existe dando ganho efetivo terapêutico. Não é só mudar a cor da cápsula ou melhorar o sabor do xarope, temos que dar ao paciente um ganho real em seu tratamento.

Penso que as pessoas devem acreditar em suas possibilidades, na centelha interna que existe em cada um para, em trabalhando, traduzir isso em produtos mais efetivos.

A ANP e a nova resolução sobre investimentos em P&D


ed034_sui3

Por Claudio Mazzola, consultor Allagi

Recentemente, a ANP (Agência Nacional de Petróleo) emitiu uma chamada pública para todos os interessados no setor de Óleo e Gás (O&G) poderem se manifestar sobre as novas regras a serem aplicadas nas cláusulas de obrigações e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Inovação.

Atualmente a regulamentação para investimentos em P&D e inovação data de 2005, um ano após a promulgação da Lei de inovação (no. 10.973). Dez anos passados, o cenário social e econômico no País e setor sofreu transformações, assim como as previsões para os próximos 10 anos. O valor acumulado de investimentos em P&D desde o início das obrigações (2005) até o 4º. Trimestre de 2013 somaram aproximadamente 9 bilhões de reais. A partir deste ano até o final de 2023 serão 30 bilhões de reais, ou seja, praticamente o triplo da quantidade de recursos acumulados até hoje. Isto devido à entrada de novas empresas de exploração e os novos lotes de exploração leiloados.

Uma das argumentações para propor e estabelecer um novo regulamento seria criar um ambiente regulatório mais favorável à inovação, coadunando com as leis de Inovação e do Bem, assim como promovendo a transferência de tecnologia, e estruturando uma cadeia de fornecedores ampla e competitiva, principalmente com foco no fortalecimento das pequenas e médias empresas.

Embora louvável e de boa intenção, a atual proposta aparenta muito mais burocratizar a promover um ambiente saudável para inovação. É comum dizer que o diabo se esconde nos detalhes e o documento, por ser extremamente detalhado, define limites e regras em temas que poderiam ser tratados de forma mais aberta e acaba por gerar muito mais discussão, preocupação e indefinição do que estimular e dar segurança nas atividades de P&D, quer seja para as concessionárias (empresas que executam atividades de exploração e produção de O&G), quer seja para as demais partes interessadas como as Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), visto que podem ser questionáveis do ponto de vista legal e econômico.

Os pontos de maior questionamento envolvem assuntos relacionados às novas porcentagens de investimentos, Propriedade Intelectual, constituição de um comitê técnico-científico, aos valores destinados a pesquisadores entre outros.

Atualmente a concessionária deve dedicar 50% dos recursos a ICTs e a outra metade para suas próprias instalações. Na nova proposta, os 50% para ICTs são mantidos, porém oferecendo a possibilidade de destinar até 20% destes recursos a empresas de base tecnológica. Paralelamente a isso, dentro dos outros 50% que competiria à empresa investir, 10% devem ser destinados à capacitação de fornecedores de pequeno e médio porte, restando, portanto, somente 40% a suas instalações. Acontece que em muitos casos são os grandes fornecedores que mais bem conhecem as necessidades e competências de fornecedores de menor porte.

Outra questão de grande interesse é a criação do COMTEC, um comitê técnico-científico representado majoritariamente pelo quadro de tomadores de decisão da ANP, e que ficará responsável por definir as diretrizes para investimento em P&D no País, incluindo áreas tecnológicas consideradas prioritárias, selecionar os projetos de maior interesse, além de fiscalizar a correta aplicação e destino dos recursos, tal como faz hoje. Essas novas responsabilidades que envolvem a decisão dos recursos destinados a ICTs e à cadeia de fornecedores, corresponderão a 60% de todo o volume destinado a projetos de P&D, ou seja, aproximadamente 18 bilhões de reais, 9 bilhões a mais daquilo que foi investido até hoje.

A Propriedade Intelectual (PI) resultante dos projetos pode gerar também discussões quanto à aderência com a lei de inovação, pois estabelece requisitos e obrigações quanto a sua titularidade, país de proteção e exploração, principalmente por se tratar de patentes. De acordo com a proposta, será titular da PI quem executar o projeto, excluindo a possibilidade de também o ser quem financiou ou contribuiu com conhecimento prévio. Existem diversas formas de proteção intelectual para uma determinada tecnologia e a escolha por segredo industrial ou patente é meramente uma decisão estratégica e de negócio que deve ser tratada caso a caso. Cada uma tem sua qualidade e defeito. Não obstante, ser titular ou não, passa a ser uma questão secundária quando o que realmente importa é o direito de uso da PI, bem como o conhecimento que poderá ser difundido para a sociedade em geral.

Já com relação aos valores destinados a pesquisadores em ICTs, há uma definição para o valor máximo do custo homem/hora o qual aparentemente foi calculado a partir do salário máximo permitido no País para o funcionalismo público, pelo total de horas mensais. Obviamente o pesquisador não dedica todas as suas horas por mês em um único projeto. Usualmente o seu tempo é dividido com outras atividades de ensino e pesquisa. Assim, seria mais fácil deixar essa decisão para os responsáveis pelo planejamento do projeto, limitando as horas permitidas por mês ou definindo um valor de horas, de tal modo que a diferença salarial do pesquisador não ultrapasse o ganho máximo permitido ao funcionalismo público.

Por se tratar de uma agência reguladora, a ANP com essa nova proposta, aparenta ter um papel mais abrangente e poder de controle para decidir quase que unilateralmente sobre o que é melhor, não somente para a pesquisa no País, mas também o que a empresa exploradora deve ou não deve fazer. Uma interferência que, sem dúvida, pode vir a ser prejudicial, inclusive para a própria agência que terá que honrar prazos com a qualidade de seus serviços frente a tanta responsabilidade assumida.

Fase 1 do programa InovAtiva Brasil chega à reta final


No próximo dia 17 de agosto, o programa InovAtiva Brasil chega ao final da Fase 1, com mais de 5 mil empreendedores conectados em sua rede e mais de 700 projetos cadastrados. Desde o lançamento do programa, realizado em 29 de maio, os empreendedores que adentraram a plataforma tiveram a oportunidade de submeter suas ideias e projetos. E desde o início de junho, uma série de conteúdos de capacitação na linha MOOC (Massive Open Online Course) foi colocada à disposição dos participantes, na forma de vídeos e webinars semanais, divulgados nos canais Youtube e Vimeo Os conteúdos dos cursos foram elaborados por especialistas em empreendedorismo e também contaram com a colaboração de empreendedores que são referência no mercado e cederam seu tempo participando de entrevistas e debates.

Na Fase 2 do programa, os 300 projetos selecionados na primeira fase receberão mentoria individual gratuita por cerca de dois meses, por meio da ajuda de empreendedores, investidores, consultores de negócios e executivos. A ideia é aprimorarem o modelo de negócios de suas startups, que são empresas que buscam inovar com a oferta de produtos e serviços.

Após esse intenso processo de mentoria, os 100 empreendedores mais bem preparados serão selecionados para a Fase 3, na qual terão mentoria de prazo mais longo e a oportunidade de interagir com potenciais investidores e parceiros no Brasil e no exterior.

Vale lembrar que mesmo após o encerramento das inscrições, os participantes cadastrados continuarão tendo acesso aos materiais e aos canais de capacitação, bem como ao espaço Comunidade, onde é possível interagir com usuários afins, conectando-se por área de atuação e localização.

Fanpage do programa: https://www.facebook.com/InovativaBrasil?ref_type=bookmark.

Mais info: http://www.inovativabrasil.com.br