Especial convidados

“Inovação aberta, uma ova!”

Conheça Andreas Pavel, o inventor do Walkman que enfrentou uma batalha épica com a Sony

foto_AndreasPavelNo final dos anos 60, Andreas Pavel e seus amigos se reuniam com frequência em sua casa para ouvir discos, enquanto discutiam sobre música, política e filosofia. Ele, que é filósofo e apaixonado por música, se perguntava por que não era possível levá-la consigo onde quer que fosse.

Assim, em 1972, quando tinha 27 anos, ele inventou o Stereobelt, o primeiro aparelho de som portátil do mundo. Para ele, era uma forma de “dar uma trilha sonora à vida”. Mal sabia ele que sua singela invenção daria início a uma batalha judicial que duraria nada menos do que 23 anos.

Andreas Pavel é um protagonista improvável de tamanha epopeia. Nascido na Alemanha, veio para o Brasil com a família quando tinha 6 anos, após seu pai ser contratado para trabalhar em uma indústria do grupo Matarazzo. Exceto pelo período em foi estudar filosofia na Alemanha, foi em São Paulo que Pavel passou a maior parte da sua vida. Aqui publicou livros e chegou a ser diretor da TV Cultura no final dos anos 60, e dedicou a sua vida muito mais à música, literatura e às artes do que aos negócios.

Mas, após inventar o Stereobelt em 72, Pavel entrou com pedidos de patente na Alemanha, Itália, Estados Unidos, Japão e Reino Unido. Depois, tentou vende-lo para uma série de empresas – entre elas, Yamaha, Phillips e a própria Sony −, que não demonstraram interesse em fabricá−lo. “Na época, os headphones já existiam, mas não se pensava neles como algo para se ouvir música. Eu andava na rua com fones e as pessoas me olhavam como se eu fosse um louco”.

Em 1980, a Sony começou a comercializar o Walkman, oferecendo a Pavel uma pequena parcela das vendas – mas só de alguns modelos e apenas daqueles comercializados na Alemanha, onde ele vivia na época.

Pavel não aceitou esse arranjo e passou a processar a Sony em todos os países onde possuía patentes. Durante os anos seguintes, ele conta que teve seu escritório arrombado três vezes, foi seguido por detetives contratados pela Sony e teve seus bens bloqueados por anos.

A batalha só terminou em 2003, quando a Sony finalmente resolveu acertar as contas com o inventor. Ele não revela quanto recebeu da empresa japonesa, mas há quem diga que se trata de um número de 8 dígitos. “Eu consegui manter meus interesses ao longo desse tempo, mas foi muito difícil. A pessoa pode ficar obcecada com esses processos judiciais tão longos e deixar muita coisa para trás. Sou um sobrevivente”.

Como convidado especial do OIW, Pavel falou em sua palestra “Inovação Aberta uma Ova!” da importância do sistema de patentes e de se proteger as ideias dos pequenos empreendedores inovadores. Segundo ele, estes não tem condições de concorrer com as grandes empresas e podem ser facilmente enganados por elas, como ele o foi.

Confira um trecho da palestra de Andreas Pavel no Open Innovation Week:

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