Inovação fica em segundo plano na CES

Maior feira de produtos eletrônicos do mundo ainda é um espetáculo, mas sem o sabor de novidade de antes. Marissa Mayer e o rapper 50 Cent. Budgee, o robô, o drone Parrot, relógios inteligentes e TVs de tela curva estiveram reunidos numa atmosfera que lembra Hollywood. Assim terminou na semana passada a CES – Consumer Electronic Show, a famosa e badalada Woodstock da tecnologia.

Anualmente, executivos, pessoal de mídia e grandes sonhadores correm à essa feira de produtos eletrônicos, para fazer contatos, se exibir e ficarem maravilhados com os avanços do setor.

A CES se considera o melhor local para as futuras grandes inovações do setor e as estatísticas oficiais são impressionantes: 167 mil metros quadrados de espaço, 3,2 mil expositores, 152 mil pessoas presentes. Dentro do cavernoso centro de convenções de Las Vegas, DJs detonavam sons em toca-discos digitais. Mulheres contratadas para representar as marcas se retorciam e gritavam nos estandes. Sobre a cabeça, drones sobrevoavam.

Mesmo assim, a feira este ano ficou muito distante de outras anteriores. A CES existe desde 1967 (foi realizada em Manhattan até os anos 70) e com o passar dos anos tornou-se o local para se descobrir as verdadeiras inovações. Em 1970, o gravador de videocassete foi lançado na CES. Em 1981, o CD player teve seu lançamento ali. A TV de alta definição foi apresentada ao público em 1998 na feira, como também o videogame Xbox da Microsoft em 2001.

A safra deste ano ficou abaixo do esperado, em comparação.

Logo no primeiro andar trombei com Brian Lam, um amigo que visita a CES há mais de uma década. No seu entender, tecnologias como os smartphones amadureceram a ponto de hoje satisfazerem muitas das necessidades e expectativas das pessoas. Isso não impede, entretanto, as companhias de tentarem nos vender novos e reluzentes produtos.

“Você precisa apenas de um telefone, um tablet e um laptop, e talvez de uma TV, fones de ouvido. Mas isso já cobre 90% das necessidades de 90% da população”, disse Lam, editor do The Wirecutter, um site sobre gadgets.

Por ali também passou Natasha Dow Schül, professora de ciências e tecnologia e programas sociais no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts. “Há um uso excessivo do termo inovação. Só se fala em inovação”. Frequentemente, aquilo que as pessoas estão mostrando é apenas uma reformulação de tecnologia que já existe.

Mesmo numa das categorias mais comentadas este ano – os smartwatches (ou relógios inteligentes) – muitos dos produtos pareciam grandes demais e lentos. Todo mundo falava em tecnologia portátil e certamente alguns estavam usando o Google Glass. Mas sejamos francos: muitos destes produtos nunca irão decolar.
“Nove em cada dez produtos para usar ‘vestíveis’ serão um fracasso”, escreveu J.P. Gownder, analista de tecnologia na Forrest Research.

Quando relembrarmos a CES de 2014, talvez possamos concluir que alguns dos produtos eventualmente mudaram o mundo. A feira também é entretenimento e continua sendo o local onde executivos como Marissa Mayer da Yahoo chegam para fazer contatos e talvez fechar um ou dois negócios. Muita coisa acontece nos bastidores da feira, ou seja, nas suítes dos hotéis. Sim, Google, Sony, e Cisco todas têm seus estandes. Mas essas empresas também alugam suítes para mostrar as novas tecnologias e estabelecer relações em grande estilo.

Twitter, Facebook, Pandora, e outras nem mesmo estandes possuem. Numa suíte no hotel Palazzo, Greg Duffy, diretor executivo e cofundador do Dropcam, que vende webcans sem fio, explicou o porquê. “Há muito barulho no salão da feira e você precisa de um local tranquilo para se reunir.” 

Fonte: The New York Times - Nick Bilton (Colunista e repórter)  / Blog Estado – Terezinha Martino (Tradução)

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