Por que não faz sentido falar de inovação

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por Bruno Rondani, adaptado de canção de Ricardo Arjona

Falar de inovação estimula meus sentidos e me inspira. Ontem, porém, em frente ao computador, com tantas ideias e aprendizados na cabeça, comecei a pensar e neguei-me a escrever. Porque falar e escrever sobre inovação é redundar, é melhor atuar. Logo, algo me disse que a única forma de não redundar é dizer a verdade, dizer que para a inovação o que importa é que atuemos, não que falemos. Dizer que inovação é mais do que oito letras formando uma palavra da moda, que inovação é verbo, não substantivo.

Gestão da inovação é mais que uma simples e vã teoria. Não faz sentido ficar lendo Schumpeter, teoria evolucionista, manuais da OCDE, cartilhas e apresentações de consultoria ao longo dos dias. Tudo que ali está escrito se resume em ação e o que vale é praticar.

Não se pode esquecer que a inovação se leva na cultura e na atitude. Inovação não se faz tentando convencer um comitê de senhores com medo de mudanças, que pretendem pagar a conta com subvenção econômica ou crédito subsidiado.

Inovação não se faz tornando-se membro ativo de associações e recheando currículos de títulos e vínculos institucionais. Inovação é mais do que depositar patentes, tentar cobrar royalties e fazer disto alarde no relatório anual. Os competidores sabem, no fundo, que muitas vezes lançar desafios na internet não passa de distração. Inovação é mais que um mural na parede, com um fluxograma para mostrar aos auditores e fiscais da receita. O inovador transforma em atos e não em cargos todos os seus discursos.

As agências de fomento dizem que é pecado não contratar doutores no P&D. Especialistas em inovação têm tão poucas ideias que inventam inúmeras políticas e programas de fomento à inovação que repetem paradigmas obsoletos. Lançam mais editais do que apresentam casos de sucesso. Falam insistentemente em incremento de investimentos em inovação nas empresas e sabem que as métricas comumente usadas são um engano.

A inovação tem ojeriza do cientista que prefere ficar pobre a compartilhar uma descoberta, do executivo que tem medo de errar e faz sempre tudo igual, do empreendedor que se obstina em suas ideias e invenções e não consegue adaptar-se, de investidores de capital empreendedor que não querem arriscar.

Desde cedo aprendi que cartilha de inovação não é nada mais que um método, com o título “Proibido pensar que tudo já está escrito”. Senhores, compartilhem as ideias, as fronteiras não servem à inovação.

Desejamos a todos um 2014 mão na massa, com menos discursos e mais ações, com menos competição pelo velho e mais colaboração para o novo!

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4 ideias sobre “Por que não faz sentido falar de inovação

  1. Prezado Bruno Rondani…
    Além de “Proibido pensar que tudo já está escrito” gostaria de acrescentar “Proibido pensar que tudo já está lido”…
    Gosto muito das “ferramentas de tradução” e consigo acessar razoavelmente sites em vários idiomas… precisamos ler e escrever (e/ou vice-versa) muito!
    Boas Festas!

  2. Acho que precisamos ler Schumpeter, cartilhas e afins, antes de executar, é necessário conhecer, pois, agir sem saber, não leva a lugar algum..
    Mas, concordo que precisamos ir além da teoria, temos que praticar e praticar muito, pois, somente assim aprenderemos algo de fato.
    Minha formula da inovação é simples: Inovação = (ideia + execução + resultado)

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