Crowdfunding como apoio à Inovação Aberta

foto_AlexandreCruz_oiw2013Em entrevista ao boletim Inovação Aberta, Alexandre Cruz, da Jive Investments, falou das vantagens do crowdfunding.

Wenovate: Você pode nos falar um pouco sobre esse ecossistema de financiamento à inovação?

Alexandre Cruz: Quando o governo fomenta a inovação, ele tem uma série de ferramentas, programas de subvenção, incentivo a incubadoras, fundos nos quais ele mesmo investe para colocar recursos em startups, com risco total de venture capital. Do lado privado, existem todos os fundos de venture capital que investem nas diferentes etapas de uma startup. Há os que investem naquele estágio bem inicial, quando ela é mais uma ideia do que uma empresa; existem outros que investem naquele período onde ela ainda não tem receita para cobrir as despesas; e aqueles que investem quando ela só tem 2, 3 anos de faturamento. Todo esse sistema que está mais ou menos desenvolvido em diversos países, há países ultra desenvolvidos como Israel, bem desenvolvidos como Estados Unidos e outros nem tão desenvolvidos como o Brasil. Penso que para essa catalisação acontecer precisamos de crowdfunding, ou seja, o financiamento coletivo desses investimentos, cujo primeiro e óbvio benefício é o fato de você ter mais financiamento, mais dinheiro para desenvolver inovação.

Wenovate: Qual você considera o maior benefício do crowdfunding?

Alexandre Cruz: O maior benefício, na minha opinião, é ter pessoas que, não necessariamente precisam ser empreendedoras, mas possam fazer a parte delas na inovação. Quando você coloca o seu dinheiro em um projeto, você se preocupa muito mais com aquilo. Se você investe em um fundo de inovação, você vai ficar muito mais incomodado se houver um problema no governo que atrapalhe isso, você vai ficar muito mais ligado se tiver uma startup do seu lado, dentro da sua empresa, na universidade que seu filho estuda, no seu bairro, enfim, você ficará muito mais envolvido. Essa cultura relacionada à inovação ela fica muito maior e se desenvolve mais, pelo simples fato de que você contribuiu com recursos próprios. Você precisa saber como o negócio se desenvolve. Se você multiplica isso para ter muito mais pessoas investindo, você vai ter no ecossistema cidadãos mais preocupados em todas as áreas: melhoria na legislação para reduzir burocracia, busca de novas ideias, saber que empresa faz inovação aberta etc. Então você começa a colocar o País alinhado, a criar uma sociedade com mais cultura de inovação.

Wenovate: Então nem todo inovador tem que ser empreendedor?

Alexandre Cruz: Definitivamente não. Nós temos muito mais empreendedores que os Estados Unidos, em quantidade de empresas abertas e não somos mais empreendedores que eles. Talvez estejamos forçando uma situação. Vi em uma reportagem da Exame que nossos empreendedores têm como meta conseguir deixar a empresa rentável e pagar as contas. Se você faz a mesma pergunta em Israel ou nos Estados Unidos eles querem ser a nova tecnologia disruptiva, a empresa que vai ganhar o mundo. Eles pensam lá na frente. Às vezes temos uma ideia errada de que para um país ser inovador ou para contribuir com a inovação a pessoa tem que sair do emprego, ter uma ideia incrível e apostar nela. Tem pessoas que têm essa vocação, outras não. A Nestlé, por exemplo, está onde está muito mais pelos executivos que tem do que porque alguém inventou lá atrás um produto muito bom. Duzentos anos depois, é bom ter pessoas que querem contribuir para o crescimento de uma empresa, sendo um executivo, um gestor. Não necessariamente precisamos criar uma nação com um monte de empreendedores acima de outros papéis, isso também dá problema. O índice de nascimento de empresas aqui é maior que nos Estados Unidos, mas o de morte também é infinitamente maior.

Wenovate: Que exemplos relevantes de crowdfunding você pode citar no Brasil?

Alexandre Cruz: Um exemplo de crowdfunding que o Brasil teve de muito sucesso foi permitir que o cidadão comum pudesse usar uma parte de seu FGTS para investir na Vale do Rio Doce. Na época eu tinha um patrimônio negativo, porque eu era estudante, mas como eu trabalhava sob regime CLT, eu tinha algum FGTS e decidi investir. Para mim foi muito bacana poder apostar em uma empresa que tinha uma vocação de crescimento, tinha feito privatização recentemente, e hoje é a maior empresa de mineração do mundo. Um outro exemplo foi a venda de ações da TELESP quando eles ampliaram as linhas telefônicas no Brasil. Mas os casos de crowdfunding que eu gosto de citar são os mais próximos de mim. Quando você pega a sua empresa e faz com que seus funcionários possam colocar parte dos bônus deles, ou você empresta dinheiro para eles poderem investir nos projetos que eles tocam. Assim eles se sentem mais donos do que estão fazendo, são muito mais críticos com o próprio projeto. Além de criar muito mais responsabilidade, o engajamento é incrível.

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